Lodz


Hoje estivemos em Lodz. A segunda maior comunidade da Polônia até 1939 - constituindo um terço da população da cidade, cerca de 230.000 pessoas. Uma comunidade rica, produtiva e importante para o país - em Lodz os judeus desenvolveram indústrias, especialmente a têxtil, que fez com que a cidade ficasse conhecida como a "Manchester polonesa".


Nossa primeira parada foi o imenso cemitério da cidade. Em frente à entrada a casa de Tahorá (purificação dos mortos) que, por si só, já dá uma idéia do tamanho do cemitério.


em frente à casa de purificação do cemitério de Lodz

Lá dentro, conhecemos um pouco da rica história dos judeus na cidade. Um mausóleu gigantesco destoa da paisagem (no judaísmo, em geral, os túmulos são modestos, sem grande diferenças entre ricos e pobres), abrigando os túmulos da família Poznansky - magnatas, cuja fortuna, proveniente da indústria, revela o peso e a influência da comunidade judaica na cidade.



Mausoléu da família Poznansky


O cemitério revela também outros capítulos, menos felizes, da história da comunidade de Lodz. Cerca de 40.000 pessoas, mortas no Gueto da cidade estão enterradas neste local, a maioria sem a devida identificação.

Há poucos anos, um pelotão do exército israelense esteve aqui e fez um amplo trabalho, para identificar e homenagear essas pessoas, devolvendo-lhes seu nome e sua dignidade. Fixaram placas, em hebraico, com tudo o que se sabia sobre essas pessoas - os nomes, datas de falecimento e nascimento, local de origem - num esforço para lembrar todos os heróis do Gueto.



Seção identificada pelas Forças de Defesa de Israel


Saímos do cemitério e fomos para um parque nacional, onde almoçamos. Lá conhecemos uma outra face do povo polonês. Nem todos se omitiram. Um gigantesco monumento nacional lembra os nomes de mais de 6.000 poloneses, justos entre as nações, que arriscaram suas vidas, de forma desprendida, para salvar judeus durante a guerra. Demonstraram aqui o que podemos ter de mais humano - amar o próximo.

Monumento aos "Justos entre as Nações"

Fomos então para Radegast. A estação de trem da qual patriram cerca de 145.000 judeus do gueto de Lodz para os campos de extermínio onde a maioria encontrou sua morte. Neste lugar sombrio, preservado até hoje, experimentamos duros sentimentos. Entramos num vagão de trem - o mesmo que transportou milhares de judeus, tratados como carga - nos sentamos para fazer uma profunda reflexão.

Neste espaço tão pequeno, que se fecha sobre nossas cabeças, lemos cartas e mensagens, deixadas por judeus em sua última viagem. Eles tentavam se comunicar, deixar notícias paras os parentes, alertar o mundo. Olhamos para nós mesmos: Que mensagem nós queremos passar? O que temos para dizer ao mundo?

Cada um agarrou uma caneta e um papel. O que responderíamos para esses judeus, despojados de tudo, deshumanizados. O que temos para dizer-lhes. Cada um derramou suas palavras sobre o papel e guardou para si.

Vagão do trem de deportação

Nós éramos 40. O vagão estava lotado. Durante a guerra, cada vagão levava entre 140 e 200 pessoas, forçados viajar por horas, às vezes por dias, sem saber ao certo para onde iriam e qual seria seu destino.

Ao sair do vagão, ingressamos em um monumento, em forma de trem, contando a história da deportação desses judeus. Caminhamos por um túnel, representando vagões que desembocam em uma locomotiva, onde uma alta chaminé nos lembra o triste fim daqueles que foram levado nesses comboios. Nas paredes, intermináveis listas com os nomes daqueles que foram deportados cobriam o cinzento concreto dos vagões. Nelas sobrenomes conhecidos, nomes de pais, de filhos, avós e netos passavam por nossos olhos a cada passo.

Monumento (visto de fora)

Túnel do Monumento (visto por dentro)

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