De manhã, bem cedo, saímos do Hotel e fomos para o campo Auschwitz I, que abriga um museu sobre a história do lugar. Na verdade Auschwitz é um complexo com mais de 40 campos que, por sua isolada localização e fácil acesso ferroviário, se transformou no maior campo de extermínio, onde mais de um milhão de judeus foram deshumanizados e assassinados.
Durante toda a manhã visitamos este museu (em Ausshwitz I, onde ficavam os prisioneiros políticos na época da guerra). O museu expõe a tragédia humana do holocausto, que desafia a lógica e vai além do imaginável. Centenas de milhares de pares de sapato, mais de uma tonelada de cabelos humanos, objetos pessoais, roupas de crianças, talitot, fotos de pessoas, cujos olhares parece nos revelar suas histórias e de famílias que jamais se reunirão novamente.
Percorremos os pavilhões do campo e aprendemos sobre como os nazistas agiam metodicamente para tentar tirar a dignidade e a humanidade dos judeus. Eles tiravam do judeus seus nomes, seus cabelos, suas roupas seus pertences - tudo aquilo que caracteriza o ser humano.
Aprendemos como eram usados pelos nazistas de forma cruel. Aprendemos sobre como eram enganados, levados às camaras de gás e incinerados. Pudemos ver os lugares onde os nazistas realizavam experimentos em seres humanos e torturas. Onde fuzilavam, enforcavam e castigavam - sempre de forma arbitrária e cruel.
Após conhecer essa dura realidade, nos reunimos na entrada do campo para começar a Marcha da Vida (fazemos a caminhada que os judeus eram forçados a fazer quando chegavam nos carregamentos em Auschwitz e marchavam para seu destino em Birkenau, onde se encontram as grandes câmaras de gás).
Com todos esses sentimentos e pensamentos, vimos o campo adquirir cor e vida com a chegada dos jovens judeus das delegações de todo o mundo.
Este ano, muitos grupos de poloneses se somaram a nossa caminhada, solidários ao povo judeu e à tragédia humana do holocausto. Também eles querem gritar em silêncio: Nunca mais! Especialmente nestes dias em que a Polõnia também chora seus mortos.
Durante a caminhada, ouvíamos diferentes idiomas. Rostos de todos os tipos, bandeiras de todas as cores. Nos confraternizamos com os outros grupos - algo muito profundo nos une a todos. Assim, caminhamos fraternalmente, e passamos pelos terríveis portões de Birkenau. Nos trilhos de trem que conduziam nosso povo à morte deixamos nossa mensagem. No lugar em que os nazistas tentaram aniquilar nossas identidades individuais, remover nossos nomes substitui-los por números, cada um deixou sua mensagem única, seu nome, o nome de sua família, sua esperança.
Marchamos alguns quilômteros até o campo de Birkenau, onde foi realizada uma cerimônia com a presença do presidente da Polônia e autoridades do Estado de Israel. Conhecemos o campo de Birkenau, como entravam os judeus, como viviam e como morriam.
Passamos o dia todo em Auschwitz-Birkenau. Hoje aprendemos muito sobre nosso povo, sobre a humanidade e sobre nós mesmos. A noite retornamos ao hotel, para uma conversa com o grupo, trocar nossas experiências e sentimentos. Hoje amadurecemos muito.
Um comentário:
Oi genteee!
Só pra situar vcs, hj teve tekez por aqui, vcs da marcha foram muito lembrados, não só oficialmente, mas principalmente por nós que ja fomos e só pensavamos : bah, eles tao marchando agora!
Eu pelo menos senti MUITO mais o Iom Hashoá depois de ter ido pra polônia.
Ta todo mundo com invejinha, entao tratem de aproveitar aí! Em breve vai começar a parte mais divertida da viagem, mas nao percam nada dos ultimos dias por aí!
Se preparem pra Majdanek, é tão dificil quanto o museu de Auschwitz!
Paulinha, eu sei que tu ta com saudades do quarto 151!
Beijos
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